O reajuste dos aposentados e a candidata mais pesada que um poste

O primeiro golpe veio logo. Já em abril de 2003, o recém eleito presidente Lula abandonava as promessas de campanha e emparedava os aposentados com a reforma da previdência dos sonhos de FHC.sem+t%C3%ADtulouu80

Pois o Lulinha Paz e Amor conseguiu o que parecia impossível: numa só tacada, instituiu a cobrança previdenciária dos inativos (volte a pagar o consórcio quitado, tolo eleitor!), igualou o teto das aposentadorias dos novos servidores ao do setor privado (máximo de R$ 2.400, hoje em R$ 3.218) e – feito memorável! – fixou patamar de idade e tempo de contribuição para o benefício. Vitória histórica, sem dúvida, alicerçada na elástica bandeira da justiça social.

Em 2006, outra pancada: Lula veta o reajuste de 16,67% aprovado pelo Congresso, novamente a pretexto de impedir “um rombo” (sempre ele, o velho e surrado rombo!) nas contas da Previdência.

Mas o Presidente é político profissional – por dom e convicção – e agrada a quem realmente importa. No mesmo eleitoral ano de 2006, concedeu reajustes salariais generalizados ao funcionalismo e inchou a máquina pública. Assim, pelas bênçãos da paridade (o mesmo percentual dado ao pessoal da ativa corrige os proventos dos inativos), agravou o déficit, que este ano deve ser se aproximar dos R$ 43 bi, ou quatro anos de Bolsa Família.

Já que tudo sai do mesmo cofre – o inesgotável caixa do Tesouro -, trata-se, ao fim e ao cabo, de pura transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos.

E o PT com isso?

Bem, os ditos “autênticos”, como o senador Paulo Paim, não se conformam. Daí a proposta do senador gaúcho de equiparar o reajuste dos aposentados ao do salário mínimo.

Reinventar os temíveis mecanismos de indexação – que tanto atormentaram os governos fustigados pelos surtos inflacionários – seria o pior dos mundos para um governo que faz pilhéria de crises mundiais. Mas como empunhar a caneta do veto e carregar ao mesmo tempo candidata mais pesada que um poste?

Por isso a ênfase na negociação – e com que alarde! Lula cede reajuste acima da inflação para os que recebem mais que o salário mínimo, contrariando a equipe econômica, que choraminga a queda da arrecadação.

Balela. Como esclarece Paim,“Isso vai dar, pelas minhas contas, R$ 5 bilhões a mais para a previdência. Se o governo reduzir um pouco a previsão das renúncias fiscais de 2010 a 2012, que somam R$ 63 bi, fica fácil dar o aumento”.

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A saia justa do governo Lula

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Fala, Caetano!

O cantor e compositor Caetano Veloso esclareceu o que disse sobre o presidente Lula na entrevista que deu a Sonia Racy, no jornal O Estado de São Paulo. Ao explicar por que apoiaria a candidatura da senadora Marina Silva (PV/AC) à Presidência, o polêmico artista afirmou: “Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”.

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 Eis a íntegra da carta encaminhada à redação de O Estado pelo cantor: 

“O que mais me impressiona é as pessoas reagirem diante da manchete do jornal, tal como ela foi armada para criar briga, sem sequer parecerem ter lido o trecho da entrevista de onde ela foi tirada. É um país de analfabetos? A intenção sensacionalista da edição tem êxito inconteste com os leitores. Pobres de nós.

Sonia Racy sabe que eu ressaltei essa diferença entre Lula e Marina para explicar por que eu dizia que ela é também um fenômeno tipo Obama (coisa que Racy e Nelson Motta não entenderam). Marina é Lula (a biografia) e é Obama (a cor escura e o modo elegante e correto de falar – e escrever). Li aqui que Lula disse que é burrice minha dizer isso. É. Serve para Berzoini contar alegremente votos migrando de Serra ou Aécio para Marina, não de Dilma. Ainda mais que toca nesse ponto óbvio (que para mim tem todas as vantagens e desvantagens, não sendo um aspecto meramente negativo) da fala pouco instruída e frequentemente grosseira e cafona de Lula. Todos sabem disso. Ele próprio se vangloria. Os linguistas aplaudem. E todos têm razão: ele é forte inclusive por isso. Fala “bem”: atinge a maioria dos ouvintes. Sua fala tem competência – e ele, como eu próprio disse na entrevista, é um governante importante. Mundialmente está reconhecido como alguém que chegou lá e foi além do esperado. Quisera Obama estar na mesma situação. Querer dizer que FH era mau governante e Lula é bom é maluquice. Ambos foram conquistas brasileiras importantes. Marina seria um passo à frente. Simbolicamente ao menos. Não creio que ela seria um entrave às pesquisas de células-tronco e à união civil de homossexuais. Se for, eu estarei aqui para me opor a ela. Aborto, união gay, embriões são matéria do Legislativo. O Executivo pode influir? Pode. Mas Marina seria uma presidente do tipo autoritário? Não creio. Criacionismo? Ela jamais cairia na confusão de ensino religioso com ensino científico. Ela é racional, atenta, dialoga com calma. Todos esses assuntos podemos debater com ela como com ninguém: ao menos estaremos certos de que ela não será hipócrita. Se houver candidatura e campanha, teremos tempo para isso. Não penso tanto como Marina sobre a Amazônia. Penso mais como Mangabeira. Já disse. Mas forças políticas surgem assim. Marina chegar a ser candidata é notícia grande. Não posso fingir que não é. E detesto essa mania de que nada se pode dizer que não seja adulação a Lula. Não estamos na União Soviética. Eu não disse nenhuma novidade. Nem considero ofensivo. É descritivo. E a motivação era esclarecer a parecença de Marina com Obama (que me interessa muito). E todos os entendidos me dizem que os banqueiros estão com medo é de Serra: adoram Lula. Então por que a demagogia de dizer que FH era pelos de poder aquisitivo? Até os programas sociais que Lula desenvolveu nasceram no governo FH. O Fome Zero naufragou. Eles se voltaram, espertamente (e felizmente), para o Bolsa-Escola de dona Ruth. Eu ter mencionado a fala analfabeta de Lula não é bom para a campanha de Marina. Mas ainda não estamos em campanha. Eu acho.

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Quem dá mais na disputa do título de Pai dos Pobres?

Deu no Diário de Pernambuco: o governo federal prepara o anúncio da inclusão de mais um benefício do já elástico programa Bolsa Família: é o auxílio funeral, que garantirá a cobertura de gastos com o enterro dos beneficiados. Afinal de contas, pobre também, merece exéquias dignas.

Nada contra, não fosse o caráter eleitoreiro de mais uma medida assistencialista, que não será a última: planeja-se alargar esse tentáculo de forma a alcançar em breve a cobertura de acidentes pessoais (e, numa terceira etapa, o seguro de vida) para as classes D e E, o público do programa, que já atinge quase 12 milhões de brasileiros descamisados.

O problema é que, passados longos sete anos, o governo Lula parece não ter encontrado a porta de saída. Além de fonte perpétua de corrupção, o Bolsa Família nem de longe resolveu as mais básicas questões sociais que tanto continuam a estigmatizar o país lá fora: os altos índices de violência – tanto urbana quanto rural, o subemprego – associado principalmente à pouca qualificação da mão-de-obra, os crescentes déficits habitacionais, a exclusão de grande parte da população do sistema de saúde, também ineficiente. Em que pese ao alardeado progresso na distribuição da renda, o fato é que o governo prefere continuar oferecendo o peixe a ensinar a pescar. Quem sabe por absoluta falta de competência.

O que espanta – claro, aos olhos dos mais sensatos – é que a velha prática do assistencialismo, em vez de inspirar falas de reprovação, continua acirrando disputas no quesito “paternidade”. Depois de Fernando Henrique Cardoso, agora é a vez de José Sarney lembrar que vem de sua gestão o salário-desemprego, o salário-alimentação, o vale-transporte, além da universalização (!) do atendimento à saúde.

Quem dá mais na disputa do título de Pai dos Pobres? Getúlio Vargas, pelo visto, de há muito já ficou para trás. No máximo ganha menção honrosa pelo pioneirismo (sobretudo no item marketing popular).

De tudo, o que se conclui é que, infelizmente, o coronelismo ainda mantém vigor impressionante (Renan está na cola para assumir a vaguinha de Sarney). Nada obstante, um pouquinho de bom senso já seria suficiente até para a mais embotada das “otoridades” enxergar que está faltando quem tenha coragem de fazer políticas públicas, em vez de políticas para pobres. Será que, se eleito presidente, José Serra colocará em prática o que alardeava quando despontava como teórico de sólidos fundamentos nas cátedras da Economia?

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Um cabra macho!

Gilmar Mendes não é nordestino – nasceu em Diamantino, em Mato Grosso. Mas foi o único com coragem bastante para dizer que “o rei está nu”, como todo mundo diariamente vê, tão exposto o presidente Lula se mostra ao fazer campanha abertamente em buscado terceiro mandato, travestido de Dilma Roussef.

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Lula não se envergonha do que faz: cria palanques em inaugurações imaginárias, sem dar conta de que pousar para fotografias com pá de cimento na mão é metáfora para início e não fim de obra.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, que deveria zelar como cão de guarda pela lisura do processo eleitoral,  parece não se dar conta do que acontece ao seu redor, ao contrário do Presidente do Supremo. É certo que juiz nenhum pode se antecipar ao julgamento, opinando sobre o mérito da questão.

Todavia, nada impede o ministro Britto de sinalizar, a titulo de saudável advertência, os evidentes excessos – que beiram até o cinismo mais deslavado, quando Lula afronta a democracia, avisando que as “inaugurações” våo continuar. Por muito menos, Marco Aurélio, o antecessor de Ayres Britto na chefia da Justiça Eleitoral, entrava em cena, “lembrando” as regras do jogo aos candidatos. É de Marco Aurélio, aliás, um discurso de posse histórico, proferido em pleno estouro do mensalão, em 2006, atualíssimo até hoje.

 

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Vitaliciedades às vezes tão longas

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Morre o ministro Menezes Direito, a última das sete nomeações ao Supremo feitas pelo governo Lula. Para a vaga, fala-se em José Antônio Toffoli , atual advogado-geral da União, ex-assessor da liderança do PT na Câmara, advogado de Lula nas disputas eleitorais de 1998, 2002 e 2006, subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil de 2003 a 2005, justamente no período em que comandada por José Dirceu. Apenas graduado em Direito, o que lhe falta em preparação técnica sobra em folha corrida de serviços prestados ao partido.

Do PT ao Supremo : a ligação direta causa estranheza em se tratando de casa tão conservadora, cujo quadro é formado, na sua maioria, por doutores, como o era o próprio Menezes Direito. Lula ainda terá tempo de nomear o substituto de Eros Grau, que completará 70 anos em outubro de 2010. Será a nona indicação do presidente à corte, composta por 11 membros.

Aqui não se trata de discutir o aparelhamento de órgãos públicos, prática petista já tão conhecida quanto consolidada. É notória a independência dos ministros, que não se constrangem em contrariar interesses governistas, como no caso do Mensalão. Sobre nomeação de Toffoli, preocupa, sim, a pouca idade. E o peso que será para a casa suportar um membro inexperiente e com pouca formação jurídica por no mínimo mais 28 anos, até a aposentadoria compulsória, aos 70. São casos emblemáticos como esses que reforçam a tese de um mandato para os ministros do Supremo, como acontece na corte alemã, limitando vitaliciedades às vezes tão longas

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Protagonismo ambiental

Antes mesmo de oficializar a candidatura à presidência da República, a senadora Marina Silva, hoje do Partido Verde, já dá mostras de que seguirá o viés oposicionista. Depois de criticar os programas sociais do governo Lula, agora é a vez da política ambiental. Segundo a senadora, quando se trata de medidas efetivas direcionadas a promover a sustentabilidade ambiental, os movimentos sociais, a academia e até os empresários estão à frente do governo, que continuaria a derrabar em posições “bastante genéricas”. A declaração foi feita no mesmo evento em que lideranças empresariais assinavam carta-compromisso, obrigando-se a adotar medidas para mitigar danos ambientais, a exemplo da redução das emissões nos processos produtivos e serviços.

A preocupação é de fato procedente e cada vez mais corriqueira, como ilustra o filmete postado a seguir.

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O governismo amador dos petistas

25/08/2009 19:18
Em relação à queda da cúpula da Receita Federal, ligada à demissão da secretária Lina Vieira, é de se imaginar o que aconteceria no país se o PT fosse oposição: atos públicos de “repúdio”, imprecações no Congresso Nacional, representações no Supremo e, principalmente, referências incessantes, em todas as entrevistas e artigos, aos métodos “ditatoriais” do governo de ocasião. Mas agora o PT, além de protagonista da crise, é situação – mesmo que envergonhada -, e usa dos mais descarados argumentos, como o fez o líder do partido na Câmara, deputado Cândido Vacarezza, para quem a reação à tentativa de ingerência na Receira não passou de “ato político”.
De fato é isso mesmo: ato genuinamente político. Mas quem disse que se trata de algo ruim? Justamente o PT é quem condena ações de protesto? E logo quando em favor da ética?
Invertidos os papéis, salta aos olhos a inabilidade da oposição ao governo Lula. O Dem e o PSDB nã o conseguem tirar proveito do governismo amador petista, nem quando o vento mostra-se visivelmente a favor.

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Os três porquinhos, by Lula

Não, não se trata de mais uma charge envolvendo Renan, Collor e Sarney (com Lula no papel de Lobo Mau). A tragédia é mais cômica e vale uma espiadela. Clique no link abaixo e garanta boas risadas… 

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O FIM DO PT ?

A tristeza é que o PT foi, desde sempre, ícone da resistência à ditadura e  força propulsora da redemocratização do país. A bandeira da ética rasgou-se com o mensalão. Mas a adesão descarada ao fisiologismo, ao clietelismo cínico, ao velho coronelismo pessedista põe a nu a incômoda constatação de que o PT morreu atropelado pela ganância cega,  desesperada pelo poder. O  que vegeta moribundo nos corredores do Congressa não passa de um espectro carregando espuriamente o nome do defunto respeitado. O PT padece do mesmo vício que corrompeu o PMDB autêntico: custa muito abandonar as sedutoras facilidades do poder, o conforto de decidir sem fazer muita força, sem ter de ir para as ruas, empunhar bandeiras sol a pino. Pena mesmo é ver o desconsolo de gente séria, a quem não sobra alternativa se não pular da frigideira. Mas talvez seja tarde: o fogo da opinião pública periga tostar os náufragos de uma forma ou de outra. Que o diga o velho Mercadante…

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